(Vol. 6, No. 1)
ISSN: 1067-151X
© 1998 American Academy of Orthopaedic Surgeons
Daniel Jaffurs, BS, and Christopher H. Evans, PhD, DSc
Implicações do Projeto Genoma Humano nas doenças músculo-esqueléticas
O objetivo final do Projeto Genoma Humano é a determinação da sequência molecular de todo o complemento do cromossoma humano. A realização deste objetivo incluem a caracterização de todos os genes que causam ou predispõem à doença, os quais quase que certamente irão levar ao desenvolvimento de novas e poderosas ferramentas para o diagnóstico, prevenção e tratamento em tòdas as áreas médicas incluindo a ortopedia. Os autores fazem a revisão dos fundamentos da genética humana e do mapeamento genético, resumem os progressos do Projeto Genoma Humano até então e discutem as implicações desta pesquisa relacionadas ao tratamento da doença músculo-esquelética.
Mark S. Cohen, MD, and Hill Hastings II, MD
Luxações agudas do cotovelo: avaliação e conduta
A maioria das luxações de cotovelo são estáveis depois de uma redução fechada. O tratamento com um programa de recuperação precoce da amplitude de movimento leva geralmente a um resultado favorável. Deve-se ter cuidado em afastar envolvimento neurovascular e lesões ósseas ou ligamentares no punho. São raras a instabilidade tardia e a rigidez do cotovelo após uma luxação simples. As luxações complexas do cotovelo com fraturas associadas podem requerer intervenção cirúrgica para se obter uma estabilidade articular. Freqüentemente é necessário nesta situação a reparação ligamentar ou da fratura. As fraturas maiores periarticulares influem adversamente no resultado funcional. As potenciais complicações tardias da luxação do cotovelo incluem: rigidez pós-traumática, instabilidade articular póstero-lateral, ossificação ectópica e ruptura oculta da articulação radio-ulnar distal.
Leon S. Benson, MD, Craig S. Williams, MD, and Marjorie Kahle, OTR/L
Contratura de Dupuytren
A contratura de Dupuytren é um distúrbio fibroproliferativo de herança autossòmica dominante,que afeta mais comumente homens com mais de 60 anos de origem escandinava, irlandesa ou descendentes do leste europeu. Uma isquemia microvascular localizada na mão e fatores específicos derivados das plaquetas e de crescimento de fibroblastos atuam à nível celular para promover a densa população de miofibroblastos e de colágenos alterados que são vistos no tecido afetado. O tratamento cirúrgico depende em algum grau da preferência do paciente e na clara compreensão das possíveis complicações e no considerável compromisso com a terapia pós-operatória. O tratamento operatório é apropriado quando a contratura da articulação metacarpofalângica ou inter-falângica proximal exceder 30 graus. Uma incisão volar em zigzag tipo Brunner na região digital e palmar possibilita uma exposição confiável e uma cicatrização previsível na maior parte dos casos. A base fundamental no pós-operatório na cirurgia da mão são os exercícios precoces ativos para amplitude de movimento em flexão para restabelecer a força de preensão. Geralmente é empregada uma tala noturna em extensão por vários meses para manter a correção obtida na sala operatória. A recidiva precoce da doença é mais comum em indivíduos com diástese de Dupuytren; nesses pacientes pode ser útil o uso de enxerto de pele total.
Clifford B. Tribus, MD
Cifose de Scheuermann em crianças e adolescentes: diagnóstico e tratamento
A cifose de Sheuermann é uma deformidade estrutural classicamente caracterizada pelo encunhamento anterior de 5 graus ou mais de três corpos vertebrais torácicos adjacentes. Os achados radiográficos secundários como o nódulo de Schmorl, estreitamento e irregularidade das placas terminais confirmam o diagnóstico. A etiologia permanece incerta. Os adolescentes tipicamente chamam a atenção médica por apresentarem um aumento da dor. As indicações para tratamento são semelhantes àquelas de outras deformidades da coluna tais como: progressão da deformidade, dor, comprometimento neurológico e estético. Os adolescentes com dor associada à cifose de Scheurmann respondem geralmente à fisioterapia de curto prazo e medicamentos antinflamatórios. Os coletes tem demonstrado serem eficientes no controle de uma curva progressiva no paciente adolescente. Para o adulto, que se apresenta com dor, as bases iniciais de tratamento são fisioterapia, medicação antiinflamatória e mudança de hábitos. A correção cirúrgica não deve exceder 50% da deformidade inicial. Distalmente a instrumentação deve se extender além da extremidade distal do corpo do primeiro disco lordótico, para impedir o desenvolvimento da cifose de junção distal.
James R. Urbaniak, MD, and Edward J. Harvey, MD, FRCSC
Revascularização da cabeça femoral osteonecrótica
A osteonecrose da cabeça femoral corresponde a até 15% das artroplastias totais do quadril realizadas nos países ocidentais. A idade jovem com prognóstico potencialmente ruim tem despertado interesse entre as modalidades alternativas de tratamento. A colocação extracapsular do enxerto vascularizado da fíbula na região subcondral da cabeça femoral tem sido uma conduta bem promissora como opção de tratamento. Os autores tem usado este procedimento no tratamento de 646 quadris sintomáticos com todos os graus de osteonecrose com seguimento que variou de 1 a 14 anos. O resultado com 10 anos de sobrevida em mais de 80% dos casos, sugere que este procedimento é preferível à artroplastia total de quadril para o paciente jovem com osteonecrose da cabeça femoral.
Alastair S. E. Younger, MB, ChB, MSc, FRCSC, Clive P. Duncan, MB, ChB, MSc, FRCSC, and Bassam A. Masri, MD, FRCSC
Exposição cirúrgica na revisão de artroplastia total de joelho
Uma via de acesso bem planejada é crucial para um bom resultado na cirurgia de revisão da artroplastia total de joelho. Deve-se ter uma ampla exposição para permitir a retirada dos componentes, o equilíbrio das partes moles, o manuseio da perda óssea e recolocação sem lesar estruturas importantes. Estas estruturas incluem a pele, o mecanismo extensor, os ligamentos colaterais, o segmento ósseo remanescente e as estruturas neurovasculares. A necrose da pele pode ser evitada, selecionando a incisão apropriada e dissecando profundamente ao nível da fáscia. A exposição extensa através da dissecção da cicatriz, retalho rodado do quadriceps, osteotomia do tubérculo tibial, ou osteotomia epicondilar medial, deve ser realizada precocemente para se evitar a ruptura do tendão patelar. Em alguns casos, o fêmur distal pode ser exposto circunferencialmente usando um retalho miocutâneo do quadriceps ou ìdescascando o femurí. Deve-se ter um cuidado especial com o joelho infectado ou anquilosado.
Thomas J. Schenk, MD, and John J. Brems, MD
Instabilidade multidirecional do ombro: fisiopatologia, diagnóstico, e seguimento
A instabilidade multidirecional do ombro é uma lesão
complexa. Afeta pacientes que possuem frouxidão global
excessiva anterior, inferior, e posterior da cápsula articular
gleno-umeral e um defeito da cápsula no intervalo dos rotadores.
O inêcio dos sintomas estão freqüentemente relacionados
a eventos atraumáticos, mas podem também ser o resultado
de trauma. A queixa principal está muito mais relacionada
à dor do que à instabilidade propriamente. Os sintomas
estão na maioria das vezes experimentados dentro da amplitude
dos movimentos gleno-umerais. Em virtude do ombro contralateral
estar muitas vezes igualmente frouxo e assintomático, apresenta-se
que fatores somados à excessiva frouxidão capsular
disputam um papel fisiopatológico. Estes fatores podem
incluir uma discreta perda de força e/ou coordenação
neuro-motora do manguito rotador e músculos estabilizadores
da escápula, defeituosas respostas proprioceptivas, e ausência
de um limitado volume articular. Muitos pacientes podem ser tratados
com sucesso conservadoramente com um programa especêfico
de exercícios. Se em 6 meses de ensaio de seguimento conservador
falha, o paciente é um candidato à reconstrução
cirúrgica. O procedimento mais indicado é uma mudança
aberta da cápsula inferior, o qual corrige a froxidão
global excessiva da cápsula e o defeito no intervalo dos
rotadores.
Translated by Tarcisio E. P. Barros, MD, PhD, Olavo Pires de Camargo, MD, PhD, and Alberto Tesconi Croci, MD, PhD.